Se você acha que a Realidade Virtual (Virtual Reality – VR) é apenas para “Gamers”, pense novamente. Pesquisadores de Big Data estão apostando nas tecnologias de Realidade Virtual para explorar novas formas de visualizar e analisar conjuntos de dados complexos e dinâmicos. Isso pode fazer uma grande diferença na forma como analisamos dados e tomamos decisões que afetam as empresas em todos os segmentos.

Que o Big Data é a mola propulsora de muitas tecnologias e inovações atuais, isso não é mais novidade. Os dados continuam sendo gerados em velocidade e volume cada vez maiores e muitos especialistas afirmam que ainda estamos na infância do Big Data. Os 2.5 exabytes de dados gerados diariamente ainda vão aumentar (e muito) quando a Internet das Coisas realmente decolar. Portanto os dados, essa matéria-prima abundante, está ajudando a construir uma nova indústria, a de análise de dados em tempo real e com Realidade Virtual.

Visualização de dados é uma das etapas cruciais de qualquer projeto de Big Data, desenvolvido com o objetivo de extrair insights e realizar previsões a partir de grandes quantidades de dados, que continuam crescendo de forma vertiginosa. Os famosos e simpáticos gráficos de barra e gráficos de pizza ajudam a compreender o que os dados querem dizer, mas eles já não são mais capazes de representar as informações contidas nos dados. Novos métodos e técnicas precisam ser adotados como forma de contar a história que os dados querem dizer. Deve ser simples para o usuário identificar e destacar as correlações entre talvez bilhões de pontos de dados, e isso em tempo real.

 

Realidade Virtual para Visualização de Big Data

 

O cérebro humano pode lidar com mais dados – muito mais – do que as visualizações de dados tradicionais fornecem. O nervo óptico tem uma largura de banda estimada de cerca de 8 megabits/segundo. Mas usamos menos de 1 kilobit/segundo de largura de banda quando estamos simplesmente lendo palavras em uma tela do computador, de acordo com o arquiteto de software Michael D Thomas da SAS (link no fim do post). Temos quantidades crescentes de poder de processamento na nuvem capazes de lançar insights sobre nós com velocidade cada vez maior, mas a interface entre nós e os algoritmos ainda não acompanharam esta evolução.

Um dos maiores desafios do Big Data é extrair informações de uma maneira que a mente humana possa compreender. A mente humana tem limitações para compreender tanta quantidade de informações. Alguns pesquisadores (link no final do post) estão medindo as reações das pessoas às visualizações de grandes conjuntos de dados para entender os processos subconscientes do cérebro humano a fim de determinar a quantidade ideal de informações a serem exibidas. O sistema reconhece quando os participantes estão ficando fatigados ou sobrecarregados com informações e então se adapta ou simplifica as visualizações de modo a reduzir a carga cognitiva, mantendo assim o usuário menos estressado e mais capaz de se concentrar.

É exatamente aí que a Realidade Virtual pode revolucionar esse jogo. Ao mergulhar o usuário em um espaço criado digitalmente com um campo de visão de 360 graus e um movimento simulado em três dimensões, será possível aumentar a largura de banda dos dados disponíveis para nossos cérebros. Isso não seria fantástico?!

 

Realidade Virtual para Visualização de Big Data

 

A idéia não é nova e Realidade Virtual já está entre nós há algum tempo. Alguns anos atrás, os engenheiros da Goodyear trabalharam com um dos pioneiros das tecnologias de VR, Robert Maples, para desenvolver uma simulação completa de seus pneus de corrida com base em todo o conjunto de dados históricos. A simulação permitiu que o efeito de cada pequena alteração variável no desempenho do pneu fosse modelado e visualizado em tempo real com VR.

O objetivo da simulação era encontrar a resposta à pergunta ‘por que eles estavam perdendo corridas?‘ e a visualização permitiu que eles encontrarem suas respostas dentro de cinco minutos. Este é um ótimo exemplo do aumento na largura de banda de dados, levando a insights muito mais rápidos. Qual líder de negócio não gostaria de ter uma tecnologia como essa?

O fato é que a interface de exibição que usamos para absorver dados visualmente há muito tempo requer uma revisão. As telas podem ter ficado substancialmente menores e mais leves, mas essencialmente são a mesma tecnologia. Enquanto a capacidade de entrada, processamento e armazenamento evoluíram iterativamente ao longo de várias gerações de arquitetura de computação, um monitor, além de aumentar em definição e cor, não evoluiu em mais nada!

Tudo isso está mudando agora com o surgimento de novo hardware de realidade virtual acessível a um número maior de pessoas. Em 2014, o Google disponibilizou em open-source o design do seu Cardboard VR headset, o que significa que qualquer pessoa pode efetivamente começar a usar a tecnologia de forma gratuita. A Oculus, uma das pioneiras em VR Headsets, foi adquirida pelo Facebook e a líder do segmento de VR Headsets, a HTC, anunciou uma nova versão do VR Headset líder do mercado, o HTC Vive, que será totalmente wireless!! 

Isso estimulou o desenvolvimento de um crescente ecossistema de aplicações VR e alguns já estão surgindo, orientados para à exploração e experimentação de dados. A Unity Studios, que produz um dos motores de jogos 3D mais utilizados no mundo, está investindo para que sua tecnologia seja usada por analistas de dados e de negócios. Uma grande quantidade de tempo e esforço tem sido gasto ao longo dos anos criando simulações digitais de todos os aspectos do mundo “real” – como ecossistemas, sistemas meteorológicos e modelos de física. Tudo isso são dados que estão prontos para serem processados algoritmicamente juntamente com dados de negócios e apresentados ao usuário em um ambiente VR, levando a uma interpretação mais rápida e precisa.

 

Realidade Virtual para Visualização de Big Data

 

Nas ciências sociais, já existem projetos de visualização de dados com Big Data acontecendo, como o Masters of Pie Big Data VR Challenge (link no fim do post). O estudo pretende seguir 14.500 famílias voluntárias em suas atividades diárias, registrando uma quantidade sem precedentes de detalhes sobre suas vidas, a fim de ajudar a resolver problemas de saúde nas gerações futuras. É fácil imaginar como VR permitirá muitas novas perspectivas interessantes sobre um conjunto de dados tão valioso.

VR e Big Data são duas tecnologias emergentes que são claramente bem adaptadas uma à outra. Além de permitir uma visualização cada vez mais sofisticada e granular, o nível adicional de imersão será, sem dúvida, de grande benefício para garantir que uma mistura de gráficos reais e gráficos gerados por computador sejam exibidos através de um VR Headset e mais que decisões, simulações inteiras poderão ser feitas no mundo virtual, antes de aplicadas ao mundo real. Duvida? Eu não ficaria parado esperando para ver o que vai acontecer!!! Na verdade, já está acontecendo!

E como você já sabe, nós aqui na Data Science trazemos a nossos alunos o que há de mais avançado em tecnologia de análise de dados. Adicionamos um módulo ao nosso curso de Visualização de Dados e Design de Dashboards, onde nossos alunos poderão aprender as ferramentas e técnicas necessárias para iniciar uma carreira na construção de aplicativos de realidade virtual para visualização de Big Data. 

E já estamos trabalhando nisso. Clique no link abaixo e acesse nossa página no Facebook para assistir o vídeo da mesa de trabalho de um dos nossos instrutores na Califórnia, nos EUA. Veja o que estamos preparando.

 

https://www.facebook.com/dsacademybr/

 

 

Tiago Pereira

CEO Data Science Academy

 

Referências:

Big Data VR Challenge

How VR Will Revolutionize Big Data Visualizations

Improving Big Data Visual Analytics with Interactive Virtual Reality

Using virtual reality to understand big data

Big Data Visualisation in Immersive Virtual Reality Environments: Embodied Phenomenological Perspectives to Interaction

When Virtual Reality Meets Big Data

HTC Vive Goes Wireless